terça-feira, 17 de novembro de 2009

O túmulo da jovem de Unaí

Era uma vez, há muito tempo, uma jovem que morava no País de Tsu. Essa jovem era requestada por dois pretendentes. Um deles que habitava no mesmo país chamava-se Mubara; o outro, habitante do país de Izumi, chamava-se Tchinu. Os dois homens eram parecidos na idade, nas feições, no exterior e nas maneiras, Ela decidira aceitar aquele que mostrasse ter mais amor; mas mesmo o amor de ambos era equivalente.
Quando caía a noite, vinham ambos; quando lhe davam presentes, os presentes eram da mesma espécie. Não se poderia dizer que um deles superasse o outro. E a jovem tinha o coração numa grande atribulação.
Se o ardor dos dois jovens não fosse intenso, a moça não teria aceitado os protestos nem de um nem de outro; mas como, dia após dia, e mês após mês, um e outro vinham sempre ter diante de sua porta, e manifestar-lhe o seu amor, por todas as maneiras, não sabia o que decidir. Ainda que não desejasse aceitar-lhes os presentes, continuavam a trazer-lhos, sem cessar. Os pais dela diziam:

- É uma pena que os meses e anos se passem assim, sem fazer caso das queixas dos outros. Se você desposasse um deles, o amor do outro se extinguiria.

Mas a jovem replicava:

- Também eu penso assim. Mas como o amor dos dois é igual, não sei que conselho seguir!

Ora, havia naquele tempo plataformas avançadas sobre o Rio Ikuta. Então os pais da jovem mandaram vir os dois pretendentes e lhes disseram:

- Como o vosso amor por nossa filha é igual, ela se acha numa terrível confusão. Mas resolvemos decidir essa questão hoje, a qualquer preço. Um de vós vem de uma terra distante, o outro é morador daqui, mas deu provas de amor desmesurado. Vós ambos despertais em nós grande piedade.

Os dois se alegraram grandemente. Então os pais continuaram:

- Atirai vossas setas contra a ave aquática que espairece sobre as água do rio. Oferecemos nossa filha àquele que a atingir.

Os dois exclamaram:

- Excelente ideia!

E dispararam suas flechas. Mas uma delas atravessou a cabeça da ave, a outra, sua cauda. De forma que não de pode saber qual o vitorioso. Então disse a jovem, desalentada:

-Fatigada da vida,Vou lançar meu corpo!Do país de TsuO Rio IkutaÉ um nome apenas!*

E, com tais palavras, da plataforma que se projetava sobre o rio, ela se precipitou, chibum! dentro dele. Enquanto os pais da jovem, aterrorizados, soltavam gritos, os dois apaixonados mergulharam no mesmo lugar; um a agarrou pelo pé e o outro pela mão. E os dois morreram com ela.
Os pais se lamentaram ruidosamente. Recolheram o corpo da filha e o sepultaram com lágrimas. Os pais dos jovens vieram também. Mas quando quiseram-nos enterrar ao lado da sepultura da jovem, os pais do jovem do País de Tsu disseram:

- É natural que um homem deste país seja aqui enterrado. Mas o filho de um país estrangeiro não deveria repousar nesta terra.

Então os pais do jovem do País de Izumi trouxeram, num barco, terra de lá, e puderam, por fim, sepultar o corpo do filho. E assim é que existem ainda os túmulos desses dois jovens, à direita e à esquerda do túmulo da jovem.

(*) Ikuta, em japonês, é nome composto de duas palavras, uma das quais conota a ideia de vida. De onde a referência: "É um nome apenas".


Krauser III
..... Eu li esse conto em um livro chamado Maravilhas do conto japonês, eu achei muito interessante e resouvi postar ele aki ,pelo fato de q os dois rapazes fizeram de tudo para tentar conquistar a garota e diferente dos contos de outros países esse não teve um final feliz.
Mostra bem como e a vida... A varias formas de interpretar esse conto.
Eu vi o lado dele q trata do fato de que pessoas devem manter o controle sobre situações q não conseguimos achar solução e que se vc quer realmente algo vc deve fazer de tudo para conseguir, e uma historia que tem varias controversas. por q pelo fato dos dois jovem amarem a moça e tentarem salva-la ela morreu por q não souberam trabalhar em equipe q tbm causou a morte deles. Enfim e um conto q nos faz refletir quanto a nossas ações e ate onde devemos ir para conseguir algo

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